Bem Estar

Dietas de jejum intermitente e outras novidades: funcionam?

No mundo atual, onde a informação corre o mundo em segundos, terminamos tendo um excesso de conteúdo sobre diferentes assuntos, o que é fantástico, mas ao mesmo tempo pode tornar nosso dia-a-dia mais confuso. E no universo feminino, o assunto que mais deixa esse tema aparente são as temidas DIETAS. A cada minuto surge uma nova linha a seguir, um novo alimento do momento, uma enxurrada de pode e não pode, que chega a nos deixar tontas e levantar aquela pontinha de dúvida, de fato funciona?

Pesquisar, ler, fuçar a internet atrás do que anda acontecendo é sempre bom. Mas nesse caso, ter um profissional indicado, competende e aberto é o único caminho para o sucesso. É assim com o médico endocrinologista e metabologista Flávio Cadegiani que coleciona títulos e carinho de suas pacientes. Com muitos casos de sucesso, desenvolvendo um trabalho que beneficia estética e saúde, o Dr. Flávio, em entrevista exclusiva ao analuizafavato.com desmistificou as dietas do momento e de quebra ainda deu dicas preciosas a respeito. Você é daquelas que curte uma boa gastronomia e sofre com dietas restritivas? Então, não deixe de ler o conteudo a seguir.

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Hoje eu venho trazer muitas novidades sobre alimentação, e principalmente alívio para muita gente que se martiriza com as proibições alimentares (afinal, colocou na boca e é delicioso, desconfia que engorda!).
Antes de mais nada, é importante contar que a primeira grande diferença que os tipos de dieta (ou melhor, alimentação) que você vai conhecer aqui, em relação a outras “novas dietas” ou dietas da moda, é que pela primeira vez elas estão saindo do mundo científico e vindo para a vida real, e não da vida real para então serem estudadas. Ou seja, a comprovação científica, que é o mais importante para quem quer fazer medicina e nutrição de qualidade, já existe para todas as dietas que irei te contar.
E por que um endocrinologista, e não um nutricionista, escrevendo sobre alimentação? A questão aqui não é qualidade e nem o detalhamento alimentar, e sim a influência hormonal e do ciclo circadiano nas respostas às dietas. Obviamente a alimentação saudável na maior parte do tempo é a maior aliada da saúde.

As novas dietas que se mostraram benéficas e que prometem melhorar o nosso futuro são:

(Todas as dietas devem ser supervisionadas e orientadas por nutricionistas. Não esqueçam disso.)

1. Dieta do jejum intermitente (time restricted feeding)

A dieta do jejum intermitente consiste no fato de você ter a alimentação que quiser (o que quiser mesmo) ao longo de 8h a 12h (8h parece ser melhor que 12h) e fazer jejum por 12h a 16h. O horário da alimentação pode variar, pois existem estudos que mostram benefícios tanto comendo de dia quanto comendo a noite.

Com essa dieta, além de você manter a taxa metabólica elevada, aumenta a produção de hormônios do bem, como adiponectina e GH, e reduz hormônios do mal, como a ghrelina e o cortisol. O efeito na queima de gordura é ainda maior do que a perda de peso em si.

Para quem essa dieta? Pessoas que estejam viajando e queiram aproveitar a gastronomia local, mas sem engordar, ou quem terá um evento onde certamente haverá tentações. Para não engordar, o ideal é o jejum ser antes do evento, e não após, para que o corpo armazene as calorias como glicogênio no fígado e nos músculos, e não em gordura, esta que é mais difícil de sair.

2. Dieta do jejum em dias alternados

Calma! Essa dieta não pede para você ficar sem comer um dia inteiro. A dieta do jejum em dias intercalados na verdade mistura dias de dieta de muito baixo teor calórico (500kcal ao dia) com dias de alimentação a la vontè.Os trabalhos impressionantemente mostraram que essas pessoas emagrecem tanto quanto quem faz a dieta um pouco mais calórica (1000kcal) todos os dias e ainda por cima perdem mais gordura do que as dietas “tradicionais”. O consumo calórico médio nos dias a vontade era de aproximadamente 3.000kcal (por isso, ainda não podemos permitir que a pessoa possa comer até passar mal).
Para quem: Para quem não quer deixar de ter vida social, e quer secar ao mesmo tempo. Mas atenção! Não faça dois dias seguidos a vontade (o resultado você verá na calça).

3. Dieta de ciclo de carboidrato

Esta é a única dieta entre as que eu citei que se iniciou no mundo real e foi para o mundo científico. Por incrível que pareça, é a menos estudada até agora, mas tem apresentado promissores. Como ela é feita? Intercala-se dias de baixo carboidrato com dias de médio e dias de alto carboidrato, e existem amplas variações de como realiza-la. Esta precisa de cálculos precisos para não errar na dose.
Para quem? Principalmente quem quer secar e está disposto a abdicar de algumas opções alimentares. A qualidade e a quantidade alimentar aqui importam, e muito.

4. Dieta compensatória

Na verdade esta é uma pequena variação (ou melhor permissão) das dietas usuais. Os estudos mostram que nós temos até 24h para queimar as calorias extras antes que virem dobras a mais. Na prática, a dica é restringir os carboidratos por 12h a 24h após aquela orgia gastronômica. Mas mantenha as proteínas e as fibras.
Para quem? Para todos. Na prática, é simplesmente “segurar um pouco” o dia seguinte de uma liberação alimentar.

5. Dietas mistas entre jejum intermitente e dias alternados

Alguns autores mais recentemente têm discutido a possibilidade de agregar aspectos da dieta de jejum intermitente com a dieta de dias intercalados. Entre as propostas, as principais consistem de fazer um dia e meio de baixo consumo de carboidratos, deixando as proteínas magras um pouco mais livres, e metade de um dia, a cada dois dias (aproximadamente 6h a 10h seguidas, em qualquer horário), a vontade. Ou então faz uma dieta com baixa caloria, mas sem precisar ser somente 500kcal, intercalado com um dia que se faz a dieta em uma parte do tempo mas com menos carboidrato neste segundo dia, e uma parte liberada.
Para quem? Como ela permite variações e traz aspectos das outras quatro dietas, ela tem potencial para ser aplicada a quase todas pessoas.

É evidente que quanto mais tempo fazendo escolhas alimentares saudáveis e principalmente inteligentes é o aspecto mais importante para uma vida com menor riscos de doenças e mais bem estar. Agora, o que essas dietas trazem de grande vantagem? Como médico endocrinologista que incentiva a saúde, e não a paranoia, é a vantagem de poder viver normalmente, sem necessidade de levar marmita para restaurantes (nada contra levar, desde que não seja obrigatório e que quem coma no restaurante não sofra preconceito ortoréxico de quem leva marmita), poder desfrutar plenamente de viagens e suas surpresas gastronômicas, poder ter uma vida social. É a vantagem também de acabar com o conflito eterno e a relação de amor e ódio entre nós e a comida, ou seja, seguir para uma dieta harmoniosa. Com isso a gente tende a comer naturalmente menos. Até porque tudo que é proibido parece que é mais gostoso, e ao liberar, perde um pouquinho da graça. Mas a graça do comer bem, esse fica, e em pazes com o nosso corpo e com a nossa mente.

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